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sábado, 19 de março de 2011

As quatro estações

As folhas secas cobrem o meu jardim, o outono demora a passar, varro as folhas enquanto te olho pela a janela, caminhando sobre minha calçada . Você passa ali todos os dias, na mesma hora, do mesmo jeito, com o mesmo andado, parece que...Não sei com o que se parece, mas sempre paro para te olhar, confesso que sinto um pouco de inveja, pois minha causada tem o privilégio de sentir os teus pés sobre ela. Te vejo todos os dias as oito horas da manhã e as oito horas da noite, vai com a cabeça baixa e vem com a cabeça mais baixa ainda, passos firmes e decididos, sorriso discreto (se é que aquilo pode-se chamar de sorriso). Cabelos pretos e amarrados, roupa bem passada, não usa brinco (pelo menos nunca vi) e usa um discreto batom marrom, para evitar certo pseudónimos cruéis. De vez em quando, nos encontramos na calçada, na nossa calçada, te comprimento, você olha pra mim e só balança a cabeça, eu até entendo mas prefiro fingir que não. Já fazem três anos que você mora na minha rua, no máximo trocamos cinco palavras.
_Moço, o lixeiro já passou?
_Sim!
_Ah, obrigada.
Conheço pouco sua voz, não conheço nenhuma mania sua, não sei teus medos, não conheço os teus segredos, não sei se é organizada ou não, muito menos sei dos teus defeitos. Só te conheço por minha calçada, os poucos segundos que ela fala de ti, quando passas ligeiramente sobre ela, enquanto fico pela janela te observando as oito da manhã, em mais uma sexta-feira de outono.
No inverno, passa sobre minha calçada toda agasalhada, o seu suéter cobre um pouco a tua face, permitindo-me olhar só os teus olhos, agora mais do que nunca, será impossível saber se andas sorrindo ou não, e tento por frações de segundos decifrar teu olhar , mas me entristeço, pois não sei bem o que ele me diz, é como se eu fosse um estrangeiro que não sabe falar a língua dos teus olhos, talvez eu seja apenas um turista em teu País, teu olhar talvez esteja em silêncio, assim como você, mas isso nunca irei descobrir no inverno.
Chega-se de uma forma triunfante a primavera, a estação mais bela e regada de cores fortes e chamativas, mas ainda és uma mulher discreta, vestido singelo, passa sobre minha calçada com uma enorme bolsa, parece que carrega o teu mundo lá dentro, olha pra mim e abre um sorriso bem indeciso, não se sabe se lhe convém aparecer, logo o retribuo.
_Bom dia.
_Bom dia.
_Dia bonito, não?!
_Sim, muito bonito, bom deixa eu ir.
Andas sempre compressa, parece que anda atrasada com vontade de chegar adiantada, e ela vem e vai de cabeça baixa, trocamos as vezes algumas palavras, e eu ainda sinto inveja da minha calçada.
E então, chega o verão, uma estação bipolar, a estação nada parecida com a mulher tão decidida como a que passa sobre minha calçada. E finalmente consegui saber o teu nome, através da D°.Iracema, a senhora mais fofoqueira da rua (é estranho dizer isso, mas a fofoca tem lá os seus lados positivos). O seu nome é Isabella, eu sabia que tinha bela no nome, era como se eu tivesse achado um tesouro ou descoberto tudo sobre você, mas o meu lado racional dizia pra eu não me alvoroçar, pois eu tinha apenas descoberto o teu nome. Já se tem três anos que mora em minha rua, três primavera, três verão, três outono e três inverno, que fico te observando enquanto passas em minha calçada, parece engraçado, mas não tem graça ter um amor platônico.



segunda-feira, 14 de março de 2011

O sino do relógio da igreja

Dom...dom..dom...E o sino do relógio da igreja daquela pacata cidade bate mais uma vez, avisando para alguns que já é hora de dormir e avisando para outros que já é hora de ir trabalhar.O sino batia em doze em doze horas, por um simples homem que zelava da igreja, o único morador que tinha um relógio móvel naquela cidadizinha, pois os demais moradores confiavam cegamente na pontualidade do relógio da igreja.
Ao passar dos anos, aquela cidadizinha foi perdendo o seu estereótipo de pacata, refugiando ladrões das grandes cidades. Mas aquela cidade não era propício para roubos e furtos, pois a maioria dos maradores eram senhores e senhoras que não se importavam com o modernismo daquela época. E a coisa mais exuberante, mais magnífica daquela cidadizinha era o relógio (por completo) da igreja, não só por causa da sua grandeza e sim por ter contido dentro de si toda confiança dos moradores daquela cidade.
Aquela igreja acompanhava a cidade desde o seu início, com o som triunfante e pontual do sino do relógio, que batia em doze e doze horas. Em conjunto, os poucos ladrões que haviam na cidade, assassinaram o zelador da igreja e furtaram o sino do relógio, e até hoje não encontraram o corpo do único morador que tinha um relógio móvel naquela cidade, o sino roubado rendeu muito dinheiro para os ladrões, vendendo para os varões de cidades vizinhas, possibilitando então a saída dos mesmo da cidade. Nem juntando todo o dinheiro, não era possível comprar outro sino para o relógio da igreja, pois o comércio de sinos não era frequente, aumentando o seu preço pra mais do que o normal, e como consequência a cidade virou uma verdadeira anarquia e perdendo cada vez mais o seu estereótipo de cidadizinha, abrigando novos e agitados moradores que se sentiram atraídos pela a sua euforia.
E ao passar dos anos, o relógio móvel então ali chegou, nada que tragara a ''cidadizinha pacata'' de volta, e dos antigos maradores, não tem nenhum vivo para contar e comprovar essa história, e a cidadizinha virou a grande Brasília capital do Brasil.

sábado, 12 de março de 2011

O beijo de Macarujá

E quando os meus lábios tocaram os seus involuntariamente, trêmulos e ardentes, me senti como a única rainha do teu castelo, como uma criança que acredita em contos de fada ou em finais felizes, fiquei enfeitiçada pelo o doce sabor do seu  beijo de maracujá.
E quando os nossos corações tentavam entrar no mesmo ritmo, como uma orquestra desafinada sem timbre, meu coração sempre batia mais rápido e desesperado, atrapalhando o nosso concerto.
Nossos suspiros foram tão intensos, nossos lábios estavam sempre em movimentos, em uma velocidade quase inexistente.E vagarosamente me entreguei inteira pra ti, lhe dei um amor carente que não era exigente, que não exigia muito de ti.
Nos meus olhos fluíam-se as lágrimas, enquanto os meus ouvidos ficavam encantados com as suas palavras tão belas, tão sinceras e afiadas como uma faca, que cortava o meu coração que se iludia de promessas eternas que não foram cumpridas.
Suas coxas se faziam de cobertas para as minhas naquela madrugada fria, o seu suor não era capaz de esconder o teu sorriso malicioso, que na hora parecia tão inocente, carente e insosso.
Insano foi a forma que me deixe ser levada por ti, ou melhor, que deixei você invadir o meu coração assim tão abruptamente, fazendo de mim um mar de ilusões.
Covardemente você me deixou após ter o que queria, acenou e sorriu dizendo que satisfiz o teu desejo.E o que tinha começado com um doce beijo de maracujá, terminou com um amargo desprezo e abandono, com um sorriso irônico ele me disse adeus.

terça-feira, 8 de março de 2011

O valor da vida

...E dizem que sou cruel, alegando que matei a minha amada, eu não a matei, apenas aliviei a sua dor. Quando ela estava no alto do monte Everest, sem oxigênio, mordendo os próprios lábios de tanta agonia...Aquela situação era agonizante para ambos, sem pensar muito eu revolvi beija-la, assim seu coração batia com mais velocidade emancipando a sua morte, era o único jeito de conter a agonia de minha amada. Não sou mau e acreditem, eu a amo, foi difícil fazer isso mas apenas realizei o desejo que seus olhos desesperados me pediam, aliviei a sua dor, não a matei pois ela esta eternizada no tempo, apenas  retirei a sua vida por amor. Queria que eles estivessem no meu lugar, sendo o amor da sua vida ali, sem ar, em uma desesperada luta contra a agonia ou o medo, sei lá, tenho certeza que se fosse com eles, fariam o mesmo.
Agora, eu estou eternizada no tempo, não sofro, mas temo algo que não sei bem o que é, estou livre do desespero, não sei se isso é bom ou ruim. Vejo pessoas vestidas de mantos brancos e outras de ternos pretos, sou a unica que parece estar vestida diferente, com um vestido azul de seda reluzente, não sei pra onde sigo, apenas caminho junto com a multidão. Vejo algumas pessoas retornando (não sei da onde) mais aliviadas e ouço de longe gritos de desesperados.Passei por um lugar escuro, sozinha, mas algo me dizia pra sempre seguir enfrente, uma voz e uma força me acompanhava, vi coisas que não sei se posso chamar de pessoas, pois tinham corpo de cavalo e várias cabeças, me olhavam dos pés a cabeça, mas não conseguiam chegar perto de mim, logo encontrei uma saída, uma luz forte veio em minha direção e me deparei com um lindo jardim, uma mansidão, era diferente de tudo que eu já tinha visto até aqui, era fantástico, sobrenatural, ali havia a paz que eu tanto procurava  e não achava, mas veio um vento contra mim, um vento forte que me fez cobrir os olhos com o meu vestido azul de seda, quando abruptamente tudo fica em silêncio e sem cor, e aos poucos e vagamente vou escutando vozes, vozes talvez de alguns parentes, epa, essa voz é do meu amor, chorando, porque será? Ouço mais gente, dizendo que eu não vou aguentar...Abro os olhos, cansada, desesperada mas com um breve um sorriso no rosto, vejo minha família, aparentemente felizes por me verem bem, eu fui mais além do que a capacidade humana possa imaginar ou que a ciência consegue explicar.Fiquei em coma e vi o fim, acho que todos deveriam ficar em coma apenas um dia, para terem noção do valor da vida.


segunda-feira, 7 de março de 2011

Algo que nunca terá fim...


_Eu te amo, eu te amo, eu te amo...
diz ele incansavelmente a ela.
Ela não sabe o que dizer,
ele não sabe parar de falar.
até que... (silêncio)

_O que você esta fazendo? pergunta ele.
_Escrevendo em meu diário! responde ela.
_Tem algo sobre mim ai, nesse seu diário?
_Só escrevo aqui sobre coisas boas.
(silêncio)
(risos)
_Calma seu 'bobo', lógico que tem coisas escritas sobre você.
(ele respira aliviado)
_O que exatamente tem sobre mim ai?
_Não posso falar.
_Tudo bem, não vou insistir.
_Hum...
_Eu te amo...
_Hum...
_Em vez de dizer 'hum' diz que me ama também.
_Pois é...
(suspiros)
_Não se preocupe, logo tu se esquece de mim.
_Não responda por mim.
_Para de querer ser diferente.
_Não quero ser diferente, apenas não vou te esquecer.
_Todo mundo vai me esquecer.
_Não, eu não vou.
_Vai sim, pois você se inclui nesse todo mundo.
_Em tudo que eu fizer, filmes, teatros, textos, livros você vai estar no meio...
_Não, não, você nem vai se lembrar de mim mais daqui uns tempos.
_Realmente, nem irei lembrar mais de você, pois não tem como lembrar de alguém que nunca se esqueceu.
(risos)
_Eu te amo.
_Hum...
_Diz que me ama também...

tu, tu, tu...
cai a ligação, pelo menos é isso que ele pensa.

No outro dia ela liga.
_Oi, liguei só pra lhe dizer que já viajei, agora querendo ou não vai ter que viver sem mim.
_Porque foi sem me avisar?você sabia que eu queria te ver antes!
_Porque seria mais doído dizer adeus olhos nos olhos e...
_E...?
_E, pessoalmente eu sei que eu não aguentaria ficar sem lhe beijar e se isso acontecesse, eu tinha certeza que eu não conseguiria partir.
_Então, realmente chegou o fim?
_O fim, o fim não importa. O que tem mais valor já foi vivido, as brincadeiras, nossos momentos especiais em lugares especiais.Afinal o fim é isso, ter alguma coisa pra se lembrar, alguma coisa para não se esquecer, alguma coisa que nunca terá fim.    _Então até um dia.Diz ele.
_Eu te amo.diz ela.

tu, tu , tu...

A ligação cai, pelo menos é isso que ela pensa.



*


 [...] -Só quero saber até quando você vai se desviar de mim! Diz ele inconformado depois que ela mais uma vez se recusa a falar sobre eles.
-Isso é um trecho de algum livro? Reponde ela com ironia.
-Não!
-Quem está se desviando de você?
-Você, uai.
-Não tô.
-Quero ver até onde isso vai chegar...
-Pois eu prefiro nem imaginar.
(Silêncio)
-Você tem certeza que te faço bem? Pergunta ela.
-Não tenho dúvida. Responde ele.
-É porque você fala comigo com tanta tristeza, com tanta frieza.
- O problema não está na gente, e sim nessa maldita distância que nos separam.
-Eu já tive essa conversa antes.
-E como ela terminou?
-Com promessas.
-Então vamos fazer o máximo para que dessa vez não termina com promessas.
(silêncio)
-Você leu aquele livro que lhe recomendei? Pergunta ela.
-Viu como você se desvia de mim?
-Mas eu não estou me desviando.
-Esta sim.
-Eu não posso lhe oferecer mais do que minhas palavras.
-Então ofereça-me as suas palavras.
-Eu te amo porra, é isso que você queria ouvir? Pronto, ouviu. Responde ela indiganada.
-Foi da boca pra fora.
-Eu gosto de verdade de você, e isso nunca irá acabar.
(risos)
-Porque você está rindo? Pergunta ela um pouco confusa.
-Mais uma conversa que termina em promessa. Responde ele.
-Não, essa conversa não terminou em promessas.
-Se não foi uma promessa, o que foi então?
-Foi promessa, mas a conversa não terminou, essa conversa será eterna, pois a única coisa que posso lhe oferecer é isso, minhas palavras.
-Esse diálogo daria uma bela poesia.
-Então escreva.
-Quem sabe um dia eu venha escrever, o dia que tudo isso terá fim, sendo bom ou ruim, como ou sem sarcasmo, um dia irei escrever para preencher esse imenso espaço em branco existente entre a gente, um espaço em branco de mais 2.029 km …
(risos)
-Porque você está rindo? Pergunta ele.
-Se a nossa conversa será eterna, essa poesia nunca terá fim. Responde ela.
-Terá fim sim, pois quando eu conseguir vencer essa barreira de 2.029 km, irei escrever um livro ao em vez de poesia.
-Essa poesia é o livro.
-Faz sentido...
-Agora vou sair, já está tarde, amanhã conversamos mais, pois tudo isso nunca terá fim, não é mesmo?! Amanhã damos continuidade a esse livro ou poesia.
-Tudo bem, amanhã damos continuidade as nossas vidas.
E essa conversa está eternizada (não enterrada ) no passado, ainda não teve fim,  pois para um dos dois se não para os dois, tudo isso vai continuar existindo...

terça-feira, 1 de março de 2011

Lua-de-mel

 O vinho tinto derramou sobre o vestido branco da noiva, mas isso nem importava tanto pois a cerimônia já havia acontecido, mesmo assim a noiva quis se trocar, sobe para um dos quartos da mansão, sozinha segurando o vestido manchado de vinho tinto.
Era noite sábado, um sábado qualquer, mas um sábado diferente para aquela pobre mulher, ela estava realizando o sonho de muitas mulheres, ela estava se casando, mas não era a primeira vez, já tinha se casado uma outra vez e foi abandonada pelo o marido na lua-de-mel, e foi na lua-de-mel que ela encontrou o seu noivo com quem acaba de se casar, que por obra do destino também estava deixando uma noiva e um coração partido para trás. Ela era consciente disso e sabia que também corria esse mesmo risco de ser abandonada pela segunda vez, esse pensamento a incomodava, ficava em dúvida pensando no que fazer ou se apenas novamente deixaria tudo acontecer.
_ Ah, são só pensamentos que logo vão embora com o vento. Diz a noiva para as paredes, mas como diz o ditado, as paredes tem ouvidos.
Chegando no quarto, ela logo tira o véu e o vestido de noiva, e até hoje não se sabem se foi obra do destino, mas um simples garçom entra no quarto de mansinho, trazendo em uma de suas mãos uma garrafa de vinho tinto, e na outra mão duas taças de cristais.

_O que faz aqui? Pergunta a noiva assustada.
_Quer vinho? Pergunta o garçom com um sorriso irônico.
_Saia do quarto agora, que falta de profissionalismo.
_Não quer vinho? Pergunta novamente o garçom.
_O que quer comigo? Pergunta a noiva amedrontada.
_Eu nada, é você que quer algo comigo.

A noiva assustada um tanto quanto conformada, se senta na beira da cama e com lágrimas nos olhos pergunta o garçom.

_Como soube?
_Você pensa alto. (risos)

E com medo e receio de ser abandonado pelo o marido, ela resolveu então evitar o sofrimento, a noiva foge com o garçom sem nenhum argumento, deixando para trás apenas o passado, deixando para trás o sofrimento que ainda ia vir, ela foge pra bem longe dali. Com um doce sentimento de vingança ou até mesmo uma boa sensação de tarefa cumprida, a noiva começa uma ''nova vida'' , com a consciência limpa ela realmente começa acreditar que tudo será diferente, do jeito que ela sempre sonhou. E com o passar dos anos lá estava ela novamente, pela terceira vez em cima do altar, com a mesma inocência da primeira vez, com o mesmo doce sabor amargo do amor e pela terceira vez mas a primeira que ela considerava, vem a lua-de-mel, que pra ela era algo divino que realmente vinha do céu, sem nenhum tipo de duvida ou desconfiança, ela se entrega totalmente ao seu marido, como se entrega um doce pra uma criança chorona.
No penúltimo dia de lua-de-mel, os dois ficaram na beira do mar olhando as nuvens do céu, até que o seu suposto marido ( o garçom) sai para comprar cigarros...E foi a ultima vez que ela o viu, pela terceira vez como da primeira ela chora abandonada, agora ainda mais forte se sente negada pelo o amor, e para completar a sua dor, ela ve o seu segundo ex marido que ela mesmo abandonou, junto com outra, feliz talvez, amante ou não, eu não sei, mas ela não estava nada bem, abandonada pela terceira vez na lua-de-mel, na praia, sozinha, sentindo dor, ela se joga no mar com rancor, pois preferiu ser levada por uma onda do que novamente chorar por amor.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A página que nunca foi lida

  É, eu não gostava de ler, era uma criança normal (risos) meu irmão não, sempre comprava, ganhava lia e relia livros, livros diversificados, com histórias e escritores diferentes. Meu irmão sempre me dizia para ler.
-Ranita, larga de brincar um pouco e se dedique a leitura! você viajará mais do que viaja com as suas brincadeiras...
Poxa, ele falava aquilo com tanta convicção, com uma empolgação incrível, mas como algumas palavras misturadas poderiam fazer alguém viajar!?
Meu irmão sempre ia em uma livraria de livros usados dirigida por um casal de idosos, que falavam a mesma língua que ele. Mas eu não. Eu achava os livros legais; eles num canto e eu no outro.Mas então de surpresa, ganhei um livro do meu irmão. Eu encantei com a capa, era de um menino em cima de um mundo, um príncipe, um pequeno príncipe. Aquele livro ficou na minha estante por vários meses, e eu olhava a capa e folheava o livro só pra ver se tinha mais gravuras, e quando eu pensava ''vou ler'' eu olhava o tanto de página e logo ia brincar.De tanto brigarem comigo, eu verdadeiramente peguei o livro pra ler, li a biografia do escritor, não entendi nada, mas quando eu ia entrar na história.
-Ranita, Ranita, oh Ranita! Vamos brincar! Minhas amigas interrompiam, sempre era assim.
Em um final de semana qualquer- não tão qualquer assim- a rua onde eu brincava estava quieta, meus pais dormiam em plena tarde de domingo e meu irmão, como de costume lia um livro, minhas amigas estavam viajando, eu queria viajar também, mas como? nem saia da rua de cima da minha casa. Ah, aquele livro me perseguia! Eu vi dois caras estranhos comentando sobre o livro e eles terminavam a frase um do outro, parecia que era combinado.
Enfim peguei esse bendito livro que me perseguia dia e noite. Já que havia lido a introdução, pulei logo para história antes que alguém me interrompesse.No começo, eu confesso que foi entendiante, mas já na décima quinta página comecei a me envolver com o livro, mas não conseguia ler dez páginas no mesmo dia, era o primeiro livro que eu lia, no máximo era três páginas por dia que eu conseguia ler.O livro era um pouco grande, mas eu não ligava para as páginas, pois as páginas já haviam me domado, mesmo minhas amigas me chamando pra ir brincar, eu não aguentava deixar de ler mais um trecho e outro e mais outro, seria como se uma mãe tivesse abandonado o próprio filho, talvez seria a mesma dor se eu abandonasse aquele livro, então deixei as amigas de lado e fiquei com o meu filho, quer dizer, o livro.
Algum tempo depois faltavam só duas páginas pra o terminar, mas como o livro vem de uma livraria de livros usados, obviamente o livro era usado, pior, a ultima página estava colada.
       E agora como vou saber o final? Demorei muito pra ler esse livro, como eu vou descolar essa pagina? Vai que em vez de descolar ela rasga.
Então eu vi que não havia solução e comecei eu mesma fazer o meu final  e tentando imaginar se era igual a do livro, li o livro três vezes ainda durante a minha infância, até cheguei a colocar a página contra o sol pra ver se via algo, mais nada, parecia que não era pra me ver mesmo, o primeiro livro que li e não sei do final, que triste não?.
E logo abandonei o livro, mais não o final, cujo nem sabia e voltei a ser uma criança normal.Já na adolescência, em uma livraria eu vi o mesmo livro que li há anos atrás, empolgante eu abri na ultima página, por sorte não estava colada, mas não havia nada escrito, pensei em todo tipo de final menos esse, uma página em branco, atordoada e decepcionada sentei no chão da livraria, revoltada colei a ultima página daquele e de todos os livros daquela livraria, fiz o mesmo que fizeram comigo um dia, não eu não sou má e nem vingativa, apenas estou fazendo o meu próprio final de uma página que nunca foi e nunca será lida.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A folha

Foi estranho quando me arrancaram do caderno, antes eu era uma simples folha, agora sou uma eterna lembrança, e fui arrancada de onde eu ficava, escreveram sobre mim com lágrimas, me colocaram em um caixa cujo tinha várias cartas de toda parte do mundo, com várias letras, cheiros e histórias diferentes.Mas até então eu não sabia qual era realmente o meu papel...''Bom, eu sou o papel'' , mas não sabia porque derramaram lágrimas sobre mim, porque me deixaram sozinha por um bom tempo em uma caixa de correio fria e vazia, eu nem sou uma carta, sou uma folha, isso é diferente ''não, não é diferente'' .Mas tudo ficou explícito quando o remetente me leu e deu um grito, era para o filho de uma mãe que estava com saudades, que com lágrimas me rabiscou, agora em vez de uma simples folha, sou uma pequena amostra de amor.

Velhice

...E criei dez filhos com muitas dificuldades, minha esposa morreu logo após ter ganho o ultimo filho, mas mesmo assim não deixei o medo me intimidar, saia de madrugada para trabalhar, enfrentava o frio e os espinhos da mata, fui humilhado por barões ''meus patrões''  , eu fazia de tudo naquela fazenda, era vigia durante a noite, de dia dava comida aos porcos, cuidava do gado, cuidava do jardim e até lavava os pratos, e quando pensava em pedir conta, lembrava dos meus filhos que precisavam desse meu esforço até mais do que eu, eles me davam força.E quando o final de semana chegava, todos os meus dez filhos se animavam, pegavam pra mim a viola pra tocar pra eles uma ''moda de viola'' e ao som do passarinho eles iam dormir, imaginando uma boa coisa que ainda esta por vim.E com dificuldades eu os criei, dei carinho, dei amor e os alimentei, sonhava alto para eles sonhava com a faculdade, pois eu não queria que eles vivessem com dificuldades, não os deixei trabalhar para não ter desculpas de não estudar.E foram crescendo e sonhando junto comigo, eu dizia para todos as maravilhas de filhos que eu tinha e agradecia a Deus todos os dias de'' manhãzinha'', eu os respeitava, não arranjei outra mulher porque eles não queriam madrasta, mas nada era mais valioso do que os sorrisos dos meus filhos.
    E agora com o rosto cansado, mãos calejadas de tanto trabalho pesado, estou em um asilo, jogado e abandonado pelos meus queridos filhos, e como diz um ditado que ouvi a muito tempo atrás, diz que ''um pai trata de dez filhos e dez filhos não trata de um pai.''

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O repúdio

Vá embora de casa, me deixe com os filhos e com a morada, as outras que te dêem lugar pois preferiu elas pra estar nas noitadas, bebendo e se divertindo a várias quadras daqui.Vá embora e me deixe sozinha, prefiro sentir-me vazia do que estar ao lado de um traidor, que só me causou dor.Não se preocupe que ligarei se tiver deixado algo para trás além de uma família que te ama, mas sei que não atenderá o celular, pois estará com outra na cama, dizendo as mesmas palavras de amor que me disse um dia, e logo arranjara outra pra lavar e passar as suas roupas, mas nenhuma vai conseguir te amar como eu te amei.E quando olhar a nossa fotografia percebera que uma família tem mais valor do qualquer outra coisa, e nesse momento de solidão teu coração baterá vazio, arrependido verás que o prazer momentâneo não será tão intenso que o arrependimento e a solidão se estenderá mais que um sono mórbido que dormirás de ressaca depois de suas noitadas.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Palavras inválidas

Sento em um banco do ponto de ônibus, ao meu lado senta um velhinho com roupas um pouco sujas e rasgadas, na boca apenas se via um dente, o brilho dos seus olhos já estava ofuscado, mãos calejadas sinais de muita luta e muita dor, rosto enrugado, cansado e marcado por cada ano vivido.Inquieto ele olhava pra mim, parecia que estava querendo algo,  e abruptamente começa a  falar e falar sem parar,  ele falava em uma velocidade incrível como se fosse uma necessidade e na medida que falava os seus olhos retomavam o brilho que estava perdido, ele não sabia se falava ou se sorria...E o ônibus que eu esperava tinha chegado e quando me levantei do acento o velhinho levantou junto comigo e pegou na minha mão agradecendo-me muitas vezes, e dali  saiu sorrindo, na hora estranhei pois eu não tinha dito uma só palavra, e logo me perguntei.
_O que eu fiz pra aquele senhor me agradecer tanto?!
E logo o meu subconsciênte me responde:
_Você só precisava ouvi-lo.
E foi nessa hora que percebi que as vezes só a nossa presença e a nossa atenção substitui mais do que mil palavras as vezes inválidas.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O mendigo misterioso

Em um bar de esquina tomando café, um mendigo misterioso observa a atitude de um jovem.
_Logo de manhã, já se embriaga desse jeito? pergunta o mendigo misterioso.
_Quem é você pra me dar lição de vida? Você está pior do que eu seu mendigo.Responde o jovem.
O pobre mendigo quieto mais com um estranho sorriso no rosto, volta a se sentar no seu 'banquinho'.No outro dia bem de 'manhãzinha' no mesmo horário o misterioso mendigo vê o mesmo jovem se embriagando novamente.E como um ar otimista o misterioso mendigo chega ao jovem e pergunta.
_Logo de manhã, já se embriaga desse jeito?
Com a mesma resposta do dia anterior, o jovem responde.
__Quem é você pra me dar lição de vida? Você está pior do que eu seu mendigo.
O mendigo misterioso novamente vai se sentar em seu 'banquinho' com um estranho sorriso no rosto.E esse pequeno diálogo entre o jovem e o mendigo misterioso foi se repetindo em muitas manhãs.Depois de ambos já estarem cansados dessa mesmice, o jovem resolveu fazer uma pergunta ao suposto mendigo misterioso.
_Vem cá, quem é você?
_Tomará que você nunca descubra quem sou.
O jovem assustado pensa que viu e ouviu coisas inexistentes, e logo responde com um ar de ironia.
_É, hoje bebi demais.
Depois de alguns dias sem beber, o jovem resolveu aparecer no bar,  só pra ver se o mendigo  misterioso estava lá, mas para a grande surpresa do jovem, não o mendigo não estava lá. Então o jovem resolveu ir em outro bar para beber, o qual o mendigo estava.
_Você anda me seguindo?
_Você veio beber, né?
_Se eu vim beber ou não, não é dá sua conta.
_Ah, é da minha conta sim...
_Ah, some daqui, some.
O misterioso mendigo desaparece em um piscar de olho.E para o alívio ou não do jovem, o tal mendigo sumiu de vez em nenhum bar o aparecia, então o jovem bebia bebia e bebia bem mais aliviado.O jovem era bem de vida mais ao passar do tempo foi ficando alcoólatra e vendendo seus bens para beber, um vício,
algo que só ele não enxergava que o fazia mal.Depois de um certo tempo o tal jovem virou um mendigo sem casa, sem dinheiro, sem família.E sentado no 'banquinho' de um bar bem de 'manhãzinha' tomando um café, (a única coisa que o dinheiro das esmolas deu pra comprar) um outro mendigo senta ao lado, e começa a rir, ri sem parar.O jovem mendigo sem entender muito, pergunta.
_Porque tanto ri?
_Como você é tolo... e ria mais e mais o mendigo.
_Porque?
_Lembra quando um misterioso mendigo te questionava por beberes tão cedo?
Assustado o jovem mendigo responde.
_Sim, porque?
_Aquele mendigo era eu  que sou você, quantas vezes te questionei por beberes tão cedo e tu não me ouvia.Lembra, quando me perguntou quem sou?
_Sim.
_O que eu te respondi?
''_Tomará que você nunca descubra quem sou.''
_Pois é, você descobriu quem eu sou, aquele mendigo que te enchia o saco no bar era você no futuro, a quem você não deu ouvido, a quem se você tivesse parado pra escutar poderia estar bem melhor, o teu orgulho social te jogou no chão, aprenda meu caro, as vezes as coisas que parecem 'divertidas' nem sempre é bom, as coisas que as vezes parecem chatas, como 'conselho de mãe, estudar, trabalhar' etc... são as coisas que futuramente nos vão fazer uma ótima pessoa, aprenda, o mundo te atraí e te traí.
O jovem mendigo pergunta ao mendigo misterioso.
_Se sabes tanto, porque é mendigo?
_Sou mendigo pois eu não ouvi a voz experiente de um outro mendigo que estava bem pior do que eu socialmente falando, e por pensar que conselhos só vem de pessoas socialmente bem, acabei virando um mendigo.
E o mendigo misterioso some num piscar de olho.E com um sentimento amargo de frustração, o jovem mendigo observa a atitude de um outro jovem, e logo pergunta.
 _Logo de manhã, já se embriaga desse jeito?
_Quem é você pra me dar lição de vida? Você está pior do que eu, seu mendigo, responde o jovem...
E essa mesmice passa de geração a geração, até alguém parar pra ouvir a voz consciente de uma pessoa mais experiente do que nós mesmo, independente se é um mendigo ou executivo.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O teatro e seus aprendizados

Bom, através do teatro aprendi a ter confiança em mim mesmo e nos outros, e que sempre é mais difícil fazer as coisas sozinhos, temos que saber trabalhar em grupo. Aprendi sobre 'sincronização, a lei da natureza' quando a gente quer, quando temos vontade, não há nada no mundo que nos faça parar, e quando temos vontade a natureza nos ajuda.
Aprendi que podemos mandar em nossa mente e que temos dentro da gente resistências,'vozes negativas que tentam nos fazer desistir do nosso objetivo e não podemos dar ouvidos a elas, pois se dermos ouvidos a essas vozes não chegaremos onde queremos' e que devemos e podemos quebrar essa resistências:


EXEMPLO: O medo de não dá certo, medo de errar, medo de passar vergonha, pensar demais e não agir, medo de não conseguir: Será que vai dá certo?! Enfim, coisas negativas.
Pois podemos sim vencer essas resistências existentes dentro da gente, pois o nosso maior inimigo não está nem a frente e nem a nossas costas e sim dentro da gente, somos os nossos maiores inimigos que temos que supera-los.

Aprendi sobre harmonia, bom humor, pensar sempre positivo, pois se entrarmos em harmonia com a vida a vida nos ajuda, temos que está de bem com a vida.
Aprendi que temos que saber separar de quem somos dos personagens, não podemos nos influenciar por nenhum personagem que fizemos ou faremos, apesar que todos temos um personagem dentro da gente.
Aprendi que todos aqueles que não se contentam com o 'sim' ou o 'não' são filósofos, pois ser filósofo é isso, sempre quer saber o 'porque'.
Aprendi que as perguntas não mudam o mundo e sim a procura de achar as respostas.
As pessoas com mais sensibilidade tem o dom de fazer arte,  e por muitas das vezes, por esse dom somos vítimas de preconceitos e negativismo verbal ou até mesmo por resistência não conseguimos fazer arte.
Mais, como disse no começo, se temos vontade, conseguimos.
Bom, aprendi isso em duas maravilhosas aulas de teatro, e de acordo que vou aprendendo irei postando, pois o teatro da vida não tem fim.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Tente entender

Aquilo que devemos fazer, já deveríamos ter feito.

Eu podia começar contando a história de como você apareceu, e mudou minha vida. Ou eu podia deixar bem claro o quanto eu fui feliz contigo. Mais de que vale isso agora? O que importa o passado, quando o presente é oposto? E também, acho que eu não preciso dizer essas coisas, todo mundo sabe o quanto eu mudei por você ou o quanto eu lutei por nós dois. Tenho certeza de que todo mundo tá cansado de saber, que quem sofre agora sou eu. Me fez acreditar que a realidade era maior, eu fechei os olhos e deixei você me guiar. E agora eu to perdida no meio desse sentimento, que insiste em ficar em mim. Ninguém pode entender o que eu sinto, ninguém sabe as noites que eu passo chorando. Já não é dor, não é decepção, é só um vazio.. acho que a pior dor do mundo, é não sentir dor alguma, é não sentir mais nada. É o medo de se apaixonar, ou de ter algo a desejar. Porque nos meus sonhos ainda passa a imagem de nós dois. Já não tenho esperanças, mais tenho desejos que me sufocam. E saber que você já se foi, já me esqueceu, é como sentir que meu mundo parou, enquanto o seu acelerou os passos. E todo dia eu me sinto sozinha, cercada de gente, mas querendo uma só que não está! E nem nunca estará. Sigo sem saber o que dizer, porque não existem mais palavras entre nós. As vezes só um carinho seu, me faz ganhar o dia mais também só uma palavra tua, quebra meu mundo em pedaços. E quando eu deito na cama, e tento entender mais uma vez o que aconteceu com a gente, fico suplicando em sonhos, aquele futuro que você me prometeu. Eu sinto tudo em volta desabar, quando eu vejo que nossas promessas, nossos planos pertencem agora á aquela que tomou o meu lugar. Nunca fui muito boa nessas histórias, mais eu era boa em amar você. E agora me custa desaprender isso, me diz.. se nosso amor era eterno, cade o meu final feliz?

Duds Calixto.
Leonardo S. Lima


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Cuida de mim

Sempre que te faço rir, que te olho, meio assim, com cara de bobo. Que cuido das suas plantas. Que esquento tua janta. Sempre que me jogo no seu colo enquanto lê na cama, de manhã. Quando encosto meu rosto no seu. Que rio da sua cara amassada. Que lavo tuas roupas íntimas. Sempre que confesso ciúmes bobos. Que entrego planos. Que lhe digo: eu te amo. Sempre, quando te ligo de madrugada-por falta de assunto- invento alguma coisa boba, te deixo preocupada, para confessar, no dia seguinte, que queria apenas te ver. Que queria que você viesse. Sempre quando vou para sua casa e te faço sair do banho pra abrir a porta. Que te abraço, te beijo a testa. Que vejo a noite cair e não faço menção de ir embora.
Sempre, o que quero que entenda, são meus sinais aflitos que dizem: ''Cuida de mim''

domingo, 26 de dezembro de 2010

O canto do galo

São 03:03 da manhã, sem ao menos pregar os olhos ouço o som de uma rádio qualquer.
Bem que eu poderia estar em sono profundo como faz quase todo mundo a essa hora.
Faço da noite o meu dia, e meu dia a minha noite, não se assuste pois minha vida é assim, toda invertida.
As vezes me canso, e até penso em ir dormir, tenho sono suficiente para conseguir. Mas, a noite
é pavorosa demais, e sou um pouco inseguro com as sombras e barulhos que vejo e ouço.
O galo canta e me faz respirar um pouco mais aliviado, o canto do galo me trás confiança, me avisando que um novo dia se aproxima.
Enquanto isso, meu coração bate ansiosamente esperando o sol. E o sol vem e com ele também a paz, agora é aproveitar o dia e ir dormir, pois a noite logo se aproxima e começa tudo outra vez.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Olhos orgulhosos

Ela sempre lhe quis descrever o indescritível, mas nunca conseguiu lhe fazer entender.
O bilhete sobre a mesa não revela realmente o que ela tem a dizer.
Sim, pra você isso é algo oculto, pra ela é algo pro futuro.
Depois de muitas tentativas frustrantes de achar uma forma mais explicita para lhe contar, ela cai em prantos.
Sem saber o que fazer, ela se desespera, e entre soluços e um sentimento infernal de fracasso,
ela fala baixinho.

_Tudo começou com um simples abraço.

Depois de várias noites em pranto, ela se decide levantar da cama, acende um cigarro, com a maquiagem borrada, vai até o seu apartamento.
Ainda com marcas de tristeza em sua face, olha em seus olhos orgulhosos, os mesmo que parecem não enxergar nada.
Com um cigarro na boca, uma masso na mão, fumaça no peito, e dor no coração, ela abre um sorriso, amarelado e indeciso.
Ele não entende muito, como sempre, ele não entende que isso não é nada oculto, e nem um grande mistério a se desvendar, e sim o um sentimento sincero, aquele que tanto sonhava, e por achar que a perfeição morasse tão longe, não conseguiu entender, o que tanto procurava estava em um simples olhar, e por falta de tempo ou de atenção, aquele rapaz acabou de perder o maior sentimento que vem do coração.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Algo que nunca terá fim parte 1.

Eu te amo, eu te amo, eu te amo...
diz ele incansavelmente a ela.
Ela não sabe o que dizer,
ele não sabe parar de falar.
até que... (silêncio)

_O que você esta fazendo? pergunta ele.
_Escrevendo em meu diário! responde ela.
_Tem algo sobre mim ai, nesse seu diário?
_Só escrevo aqui sobre coisas boas.
(silêncio)
(risos)
_Calma seu 'bobo', lógico que tem coisas escritas sobre você.
(ele respira aliviado)
_O que exatamente tem sobre mim ai?
_Não posso falar.
_Tudo bem, não vou insistir.
_Hum...
_Eu te amo...
_Hum...
_Em vez de dizer 'hum' diz que me ama também.
_Pois é...
(suspiros)
_Não se preocupe, logo tu se esquece de mim.
_Não responda por mim.
_Para de querer ser diferente.
_Não quero ser diferente, apenas não vou te esquecer.
_Todo mundo vai me esquecer.
_Não, eu não vou.
_Vai sim, pois você se inclui nesse todo mundo.
_Em tudo que eu fizer, filmes, teatros, textos, livros você vai está no meio...
_Não, não, você nem vai se lembrar de mim mais daqui uns tempos.
_Realmente, nem irei lembrar mais de você, pois não tem como lembrar de alguém que nunca se esqueceu.
(risos)
_Eu te amo.
_Hum...
_Diz que me ama também...

tu, tu, tu...

cai a ligação, pelo menos é isso que ele pensa.

No outro dia ela liga.
_Oi, liguei só pra lhe dizer que já viajei, agora querendo ou não vai ter que viver sem mim.
_Porque foi sem me avisar?você sabia que eu queria te ver antes!
_Porque seria mais doído dizer adeus olhos nos olhos e...
_E...?
_E, pessoalmente eu sei que eu não aguentaria ficar sem lhe beijar e se isso acontecesse, eu tinha certeza que eu não conseguiria partir.
_Então, realmente chegou o fim?
_O fim, o fim não importa.O que tem mais valor já foi vivido, as brincadeiras,nossos momentos especiais em lugares especiais.Afinal o fim é isso, ter alguma coisa pra se lembrar,alguma coisa pra não se esquecer, alguma coisa que nunca terá fim.
_Então até um dia.Diz ele.
_Eu te amo.diz ela.

tu, tu , tu...

A ligação cai, pelo menos é isso que ela pensa.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Homem só é forte quando está de joelho.

O Homem só é forte quando está de joelho.

Certa vez,meu professor de filosofia,pediu pra sala comentar sobre essa frase.
À sala toda disse a mesma coisa.
_Ah professor,o homem só é forte quando é humilde.
_Correto,mais não é só isso! diz o professor,deixando a sala curiosa.
Depois de alguns dias,aprofundei-me nessa frase
e mudei várias vezes o meu raciocínio sobre essa tal frase.
Quando estamos de joelhos,é como uma reverencia a uma força maior,no caso 'Deus'.
Mais,será que só basta ficarmos de joelhos para sermos fortes?!
Pensando sobre isso,vi que ficar de joelhos vai além do que um simples gesto.
Pois,quando ficamos de joelhos e fazemos uma reverencia/saudação à uma força maior,
estamos nos diminuindo e engrandecendo a essa tal força maior,no caso 'Deus'.
Assim,sendo humildes pra tal coisa,
assumimos os nossos erros,parece ser fácil
mais podemos citar 300 características da gente mesmo com a maior facilidade
mais falar 8 defeitos nossos,é algo mais complexo.
E sendo humilde a ponto ficar de joelhos,
assumir nossos erros e arrepender de todos eles,
conseguimos o perdão divino,
e começamos a viver com um apoio bem maior,mil vezes maior.
Como diz em um versículo da bíblia que eu não sei qual é,
mais diz mais ou menos assim.
_'...Se Deus é conosco,quem será contra nos?...'
Se temos a força maior,a força superior do nosso lado
assim ficaremos mais fortes e capazes de vencer qualquer coisa
que antes na nossa 'visão humana' parecia invencível.
Bom,não sou padre e nem pastor.
Mas apenas fui humilde e reconheço
que sim,temos um Deus
com quem podemos confiar e contar sempre.
Basta apenas,um simples gesto de humildade da sua parte
para poder enxerga isso.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sagitariana

Ela é tão complexa.
Discreta,sabe seus limites.
Ela se liberta aos poucos,
vai tomando cuidado,para não frustrar-se com todos.
Cheia de manha e mania ela vem,
senta bem do meu lado,
como se não estivesse querendo nada.
Mais sei bem o que ela quer
quer carinho,
ficamos cantando a mesma musica,baixinho
no mesmo ritmo.

Ela se valoriza,faz 'beicinho' quando eu não há elogio.
Ela abre um sorriso,quando fala coisas sem sentidos
fica séria quando se entristece
difícil vê-la chorar
Pois seco as suas lágrimas antes de escorrer sobre sua face

Tem a pele macia,cabelos cheirosos e bem cuidados
Tem o controle de si mesma,ela é sagitariana,aventureira,um pouco seca
mais bem delicada,
é cheia de amor voluntário,não assume sentir falta de carinho,
sofre sozinha
nas madrugadas geladas sente frio,não tem ninguém para aquece-la,
ela é verdadeira,cumpri aquilo que promete.
Ela é meiga,tem seus momentos dóceis,
ela é sensível,adora um elogio,seu coração bate vazio
sempre no mesmo ritmo.
Ela é complexa,pouco sei dela
fico até sem jeito de falar,mais sei o bastante para dizer que só sei ama-la.